A decisão de perfurar un furo de captação de água costuma nascer de uma necessidade básica ou de uma aspiração de independência. Para o proprietário de um terreno rústico, de uma casa de campo ou de uma exploração agrícola, a possibilidade de aceder à água subterrânea representa a liberdade face às faturas municipais crescentes ou a solução perante a inexistência de rede pública. No entanto, quando se começa a orçamentar esta obra de engenharia, o interessado descobre rapidamente que o preço não é um valor fechado, mas sim uma equação complexa com múltiplas variáveis geológicas e técnicas.

O custo de um furo não se mede por projeto, mas sim por metros de profundidade e dificuldade do terreno. Esta é a primeira lição que o cliente aprende: o orçamento inicial é sempre uma estimativa. A geologia dita a sentença final. Não é a mesma coisa perfurar sobre terrenos sedimentares brandos, como argilas ou areias, e enfrentar o granito duro ou a rocha-mãe, muito comuns em grande parte da península. A dureza do solo determina o tempo de trabalho da maquinaria pesada e o desgaste das ferramentas, fatores que influenciam diretamente a tarifa por metro linear, que costuma oscilar significativamente dependendo se é exigido o revestimento (tubagem) em ferro ou em PVC.

À medida que a perfuradora fura a terra, o contador económico avança. A incerteza faz parte do processo: a água pode aparecer aos trinta metros ou esconder-se até aos cento e vinte. Por isso, a rubrica orçamental mais avultada é a perfuração em si mesma. No entanto, o erro mais comum do proprietário inexperiente é pensar que o gasto termina quando a água brota à superfície. Na realidade, aí conclui-se apenas a primeira fase.

O «furo terminado» implica uma série de custos adicionais que muitas vezes são descurados no cálculo mental inicial. Uma vez feito o buraco, é imperativo instalar o sistema de bombagem. A escolha da bomba submersível, o quadro elétrico de proteção, a cablagem e as tubagens de impulsão constituem um segundo investimento que depende do caudal desejado e da profundidade a que se deve empurrar a água para cima. Uma bomba potente para um furo profundo é uma peça de tecnologia dispendiosa.

Além disso, existe uma dimensão invisível mas iniludível: a legalidade. O preço final deve contemplar a burocracia. Um furo clandestino é um risco de sanções severas. Portanto, há que somar os honorários do engenheiro para redigir o projeto técnico, as taxas da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou da respetiva Administração da Região Hidrográfica (ARH), e os trâmites municipais. A legalização transforma um buraco no chão numa infraestrutura de captação de água patrimonial e segura.

O preço de um furo de captação de água é a soma da exploração geológica, da força bruta da maquinaria, da tecnologia hidráulica e do cumprimento normativo. Para o proprietário, não é um gasto trivial, mas sim um investimento com amortização a médio prazo. Quando se observa o jorro de água cristalina e constante a sair da mangueira, a perceção do custo muda; percebe-se que não se pagou apenas por uma escavação, mas sim por assegurar um recurso vital próprio e duradouro.